Casos de 25ª hora



Quarenta e oito horas antes da nomeação do novo Executivo de João Lourenço, Sílvia Lutucuta tinha como segura a pasta de ministra de Estado para a Esfera Social.

Quarenta e oito horas antes da nomeação do novo Executivo, Ana Paula Chantre de Carvalho estava fora da adequação.

Faltando dois dias para a nomeação do novo Executivo, Dalva Ringote não era “gente”.

A dois dias da nomeação do governo, a ministra da Saúde teria, segundo ela mesma disse a pessoas do seu mais restrito círculo, recebido do próprio Presidente da República a garantia de que seria promovida a ministra de Estado pelos “relevantes” serviços que o o Presidente da República, nas vestes de Titular do Poder Executivo, lhe reconheceu na condução do sector e, especialmente, no enfrentamento à pandemia da covid-19.

A dois dias da nomeação do novo elenco, João Lourenço, segundo fontes seguras, não conseguia disfarçar o desconforto que o nome da Ana Paula de Carvalho lhe causava.  

De acordo com as fontes do Correio Angolense, João Lourenço não dissocia o constrangedor resultado eleitoral do MPLA em Luanda do desempenho da sua então governadora provincial.


Fisioterapia ao domicílio com a doctora Odeth Muenho, liga agora e faça o seu agendamento, 923593879 ou 923328762


E não se pode negar razão a João Lourenço.

Em Junho deste ano, a escassos três meses das eleições, a governadora de Luanda passou por um dos maiores constrangimentos que já viveu.

Numa despropositada visita ao principal mercado do populoso bairro do Kikolo, no município de Cacuaco, uma região consabidamente hostil ao MPLA, Ana Paula Chantre Luna de Carvalho não se sabe se por narcisismo ou se movida por quê ou por quem, testou a sua popularidade, perguntando, repetidamente, se era conhecida. “Vocês conhecem a governadora de Luanda?” À pergunta, que ela repetiu várias vezes, vendedores e clientes responderam sonoramente “NÃO!”

Em meio à risada geral e tomada por uma súbita afonia, Ana Paula foi gritando “a governadora sou eu; sou eu”. 

Profusamente partilhado nas redes sociais, tenazmente acompanhadas pelo SINSE, o episódio de Kikolo deu à direcção do MPLA a certeza de que, eleitoralmente, Ana Paula Chantre Luna de Carvalho não lhe acrescentava nada. Pelo contrário, com ela à testa do maior circulo eleitoral do país, era sério o risco de o MPLA ser enxovalhado. O que sucedeu no dia 24 de Agosto.

Mas, no dia 16 de Setembro, os decretos através dos quais o Presidente da República nomeou os membros do novo elenco governativo revelaram mudanças que só podem ter sido decididas, inexplicavelmente, na 25ª hora.

A nomeações de Dalva Maurícia Calombo Ringote Allen para ministra de Estado para a Esfera Social não foi apenas um tambor de água gelada derramado sobre Sílvia Lutucuta. Foi, também e sobretudo, a confirmação de que o Presidente da República nem sempre se deixa escravizar pela própria palavra.

Contudo, a mais surpreendente – e até mesmo chocante para os militantes do MPLA – foi a nomeação de Ana Paula Chantre Luna de Carvalho para o Ministério do Ambiente. 

Para dar suficiente visibilidade à ex-governadora, o Presidente da República desintegrou o Ambiente de um super-ministério em que coabitava com a Cultura e o Turismo.

No dia 19 de Setembro, quando lhes deu posse, o Presidente João Lourenço disse que a recondução da maior parte dos integrantes do elenco anterior era um prémio pelo trabalho que fizeram. 


Segundo a imprensa que tem acesso ao palácio presidencial, o anfitrião teria dito que  a equipa anterior «trabalhou no meio de inúmeras adversidades, soube vencê-las, ultrapassá-las e faz grandes realizações em prol do povo angolano (…) “Portanto, daí o facto de terem sido premiados com esta recondução».

O prémio foi extensivo a Ana Paula Chantre de Carvalho.

Cardiologista particular de João Lourenço, matéria de que já trata antes de o seu paciente dar o grande “salto de gazela” em 2017, Sílvia Lutucuta era tida como a sucessora “natural” de Carolina Cerqueira como ministra de Estado para a Esfera Social, uma pasta que João Lourenço criou no seu primeiro mandato aparentemente com dois objectivos exclusivos: a) incentivar o ócio no seu vice-Presidente, Bornito de Sousa, “órfão” de poderes próprios nos termos da Constituição angolana; b) preparar Carolina Cerqueira para a vice-Presidência da República. 

A súbita e inesperada preterição de Sílvia Lutucuta a escassas horas da sua nomeação para ministra de Estado não pode ser somente atribuída a razões profissionais ou à uma qualquer quebra de confiança política. 

A nomeação de Dalva Ringote para na poderosa e influente pasta de ministra de Estado para a Esfera Social insere-se na já habitual “tradição” de João Lourenço de chocar o país, confrontando-o com as mais inesperadas e incompreensíveisescolhas.

Assim aconteceu com a escolha de Luísa Damião para sua vice-presidente do MPLA: Depois, “traumatizou” os cidadãos com a escolha da desconhecida Esperança Costa para candidata a vice-Presidente da República e, agora, colocou o país em estado de choque com as nomeações de Dalva Ringote e Ana Paula Chantre de Carvalho.

Com Esperança da Costa (“Panchita” para João Lourenço e família dela) e Dalva Ringote, o Presidente da República fez o que não tem muitos precedentes conhecidos no mundo: catapultar para a principal vitrina duas obscuras secretárias de Estado. 

Com a sua inesperada nomeação para ministra de Estado para a Esfera Social, Dalva Ringote Allen, que partilha segredos de alcova com um cidadão norte-americano, não apenas fica mais próxima do Presidente da República como se torna na “mãe” de quase todas as ministras do Executivo. 

Nas suas novas funções, Dalva Ringote passa a ter debaixo de olho as ministras do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Maria do Rosário Bragança, da Educação, Luísa Grilo, da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Ana Paula do Sacramento, da Juventude e Desportos, Palmira Barbosa e da Saúde…, Sílvia Lutucuta. Fora do “cangote” da novel  ministra de Estado ficam, apenas, Vera Daves, ministra das Finanças, Carmen Evalize dos Santos, ministra das Pescas e Recursos Humanos, Teresa Rodrigues Dias, ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social e Ana Luna Chantre de Carvalho, ministra do Ambiente.


Quando reunir o “staff” todo da área social, a única voz masculina que Dalva Ringote ouvirá é a de Filipe Nzau, ministro da Cultura e Turismo. 

Silvia Lutucuta não era apenas tomada como a substituta “natural” de Carolina Cerqueira. 

Em determinado momento, ela foi mesmo cogitada como putativa candidata a vice-Presidência da República, mantendo-se Carolina Cerqueira no cargo de ministra de Estado para a Esfera Social. 

Em Fevereiro deste ano e com base em fontes que até hoje garantem a autenticidade das suas informações, o Correio Angolense atribuiu ao Presidente João Lourenço a intenção de trocar Carolina Cerqueira por Sílvia Lutucuta como candidata a vice-Presidente da República.

As fontes que então falaram ao Correio Angolense disseram que Lourençopretenderia escolher Sílvia Lutucuta como sua parceira de “chapa” para emprestar alguma “tonalidade ovimbundu” à Presidência da República.

Mas, essas fontes também associaram a dita escolha de Sílvia Lutucuta à longa amizade que uniu o Presidente da República e o pai da ministra da Saúde, Gilberto Lutucuta, já falecido.

A inesperada entrada em cena de “Panchita” da Costa rebaixou Carolina Cerqueira para a presidência da Assembleia Nacional (em todo o caso a terceira figura na hierarquia do Estado), ao passo que a “erupção vulcânica” corporizada em Dalva Ringote reduziu a ministra da Saúde a um misto de mágoa, raiva, desespero e até mesmo vergonha.

Os “golpes de rins” em que João Lourenço se tornou useiro e vezeiro muito para lá da 24ª qualquer dia desembocam em síncopes ou coisas piores.


Correio Angolense 




Lil Pasta News, nós não informamos, nós somos a informação 

Postar um comentário

0 Comentários