Lutucuta deve cair urgentemente: Como se enriquece (imoralmente) às costas da pandemia da Covid



Universalmente, o Estado é tomado como um ente de bem.

Mas há padrões, conceitos, convénios, protocolos, percepções e obviedades que, em Angola, soçobram à chico-espertice de uns tantos a quem, inadvertidamente, ou não, o Estado delegou competências para o exercício de determinados actos.

Tal é o caso da ministra da Saúde. 

Chamada para desenhar a resposta de Angola à pandemia da Covid-19, a ministra da Saúde e seus compinchas transformaram a missão numa oportunidade de atulhar os bolsos.

Desde a “moamba” enfiada nos primeiros voos da Ethiopian Airlines que o Governo alugou para transportar equipamento anti-Covid à aplicação de multas a quem não usasse máscara em espaços públicos, o combate à pandemia tem acobertado os mais variados expedientes de roubo ao cidadão.




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Mesmo sem produzir uma única vacina ou, sequer, qualquer equipamento de protecção, Angola insinuou-se, desde o princípio, entre os países que lideravam o combate à pandemia.

Sempre que teve um microfone ao alcance, a ministra da Saúde não se coibiu de incluir o nosso país no pelotão da frente da luta contra a pandemia. Algo – nunca se esqueceu de sublinhar – conseguido graças ao “esforço” do Governo.

Só que enquanto os outros países do pelotão dianteiro fabricavam vacinas e outros equipamentos de protecção, capitalizavam as suas empresas enfraquecidas pela pandemia, Angola fazia o inverso: durante longos meses, “sentou” a sua companhia aérea, entregando todo o tráfego a companhias estrangeiras; enquanto os outros países davam incentivos à sua economia, Angola sitiou a sua capital, o principal pulmão económico do país; enquanto nos outros países as despesas com a pandemia eram discutidas e aprovadas nos respectivos parlamentos, em Angola essa matéria é segredo que envolve um restrito número de pessoas. Nos Estados Unidos, Suécia ou mesmo África do Sul há registos do dinheiro já empregue no combate à pandemia. Em Angola, até mesmo o Titular do Poder Executivo não deve ter os números exactos. Nos outros países, excessos cometidos em nome do combate à pandemia foram severamente punidos. Em Angola, até hoje, ninguém respondeu criminalmente pela morte do médico pediatra Sílvio Dala, ocorrida numa esquadra da Polícia, para onde foi arrastado pelo “crime” de não usar máscara numa viatura em que era o único passageiro.

Em suma, enquanto os países do pelotão da frente evitaram que a pandemia se constituísse em mais uma dor de cabeça para o cidadão, em Angola as autoridades agiram em sentido inverso: sob o pretexto de combate à pandemia, criaram um variado leque de expedientes para irem ao bolso do cidadão.

O mais despudorado e imoral desses expedientes é, sem dúvida, a insistência em procedimentos que países civilizados evitaram.


Por exemplo, Portugal, um dos principais destinos de angolanos, desde o dia 5 de Fevereiro que exonera o visitante da apresentação de um teste negativo.

A partir daquela altura, para a entrada em Portugal – e noutros países da União Europeia – é exigida apenas a apresentação do Certificado Digital da Covid. A única excepção é para os portadores de certificados de vacinas russa, Sputnik, e chinesa.

A partir daquela data do mês de Fevereiro, para os angolanos e não só, o teste pré-embarque, o chamado RT-PCR, para Portugal tornou-se num desnecessário gasto financeiro.

E em Angola, nenhuma unidade hospitalar cobra abaixo de 70 mil kwanzas pelo teste.

Angola levou quase 2 meses para perceber que estava a exigir dos passageiros de Angola para Portugal uma despesa totalmente injustificada.

Para onde foi o dinheiro que os cidadãos gastaram injustificadamente nesse período?

O combate à pandemia em Angola tornou-se numa verdadeira trapaça, que continua a encher imerecidamente os bolsos de uns tantos, nomeadamente os donos de clínicas que fazem testes.

Muito a contragosto, a máfia que engorda à sombra da pandemia abriu mão dos testes pré-embarque para destinos onde eles já foram há muito dispensados. Mas não cede um milímetro da absurda exigência de teste pré-embarque para Angola e, sobretudo, da mina de ouro em que se transformaram os testes pós-desembarque.

O estrangeiro fica boquiaberto quando ao desembarcar em Angola é obrigado a pagar o equivalente a 22,5 € por um teste antigénio pelo qual no seu país não paga um tostão furado.

O que se assiste no aeroporto internacional de Luanda é uma vergonha pela qual a ministra da Saúde e todos os seus sequazes deveriam responder criminalmente por extorsão.

“Recentemente, com a chegada de dois aviões cheios de Lisboa, a aterrarem quase simultaneamente ao início da manhã, assistiu-se a um espectáculo de pura perda de tempo, da criação de condições de transmissibilidade da doença e de sofrimento inútil de pessoas de todas as idades à torreira do sol à espera de poderem passar a fronteira”, reclamou, há poucos dias, Gil Ferreira, na sua página do Facebook. Gil Ferreira não é néscio na matéria. É o dono da Clínica Cligest, também especializada em análises clínicas.

Minimizados ou normalizados pelas autoridades angolanas, são gestos como o teste pós-desembarque e os seus absurdos custos que afugentam o turismo e o investimento estrangeiro.

Não está distante o dia em que todos os angolanos nos interrogaremos como e porquê toleramos que meia dúzia de chico-espertos acumulassem fortunas à sombra da Covid-19.

É que se nos acostumássemos a fazer exercícios elementares de Aritmética, como somar e multiplicar, constataríamos que, num dia em que desembarquem no aeroporto internacional de Luanda 700 passageiros, e porque a cada um são arrancados o equivalente em euros a 22,5, a empresa que faz os testes embolsa brutos 15.750,00 euros. Se esse ganho se repetir em apenas 24 dos 30 dias do mês, ao fim de um mês a felizarda empresa arrecada uns “módicos” 378 mil euros. Ao cabo de um ano, a contabilidade regista entrada de nada desprezíveis 4.536.000 (quatro milhões e quinhentos e trinta e seis mil euros).

Além da dinheiramente que resulta desses testes pós-desembarque perfeitamente inúteis -por alguma razão eles não são praticados em países que já entraram há muito na Era da Decência -, a ministra da Saúde e a turma que lhe estende o tapete vermelho ainda devem aos angolanos explicações conviventes sobre o que foi feito com o dinheiro subtraído do erário com o propósito de comprar vacinas.

É que além de histórias muito mal contadas a respeito, a única certeza que os angolanos têm é que a maior parte das vacinas que chegaram ao país – algumas delas já com validade em véspera de expirar – foram doadas por organismos multilaterais. 

Em Angola, os novos protagonistas da “acumulação primitiva do capital” (nomeadamente os patrões do Centro de Diagnóstico e Imagem, com profundas ligações ao principal centro do poder em Angola) não querem saber da estratégia da galinha, que consiste em encher o papo com um grão a cada vez. Os nossos “empreendedores” acumulam num ano aquilo que empresários de verdade em outros países levam anos a juntar.

Não é por acaso que Angola é já um caso de estudo e de chacota em muitas instituições científicas…

A ministra da Saúde ainda não percebeu, mas sempre que vai ao estrangeiro, sobretudo para participar em fóruns onde se discute a Covid-19, é vista com um misto de espanto e incredulidade.


Correio Angolense 




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