Galheta sem mão! - Graça Campos



É da sabedoria popular que os “amigos da onça” só se juntam para encorajar a carnificina e partilhar os despojos.


Durante muito tempo, pretensos incondicionais do Presidente da República poluíram as redes sociais com “teses” em que o desencorajavam de qualquer encontro com o líder do maior partido da oposição.

Aqui mesmo nesta plataforma foi repetido inúmeras vezes que João Lourenço jamais deveria “conspurcar” a sua mão, estendendo-a a quem designavam como arruaceiro-mor ou estrangeiro indigno de aspirar a ser Presidente de Angola.



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Agora que o Presidente da República sacrificou um pouco eventuais orgulhos e tomou a sensata decisão de chamar o líder da oposição para, sem intermediação de ninguém, ouvir dele próprio as queixas e queixumes, não se vê nas redes sociais uma só voz dos pretensos incondicionais a aplaudir e muito menos encorajar a iniciativa de João Lourenço.

Na verdade, o gesto do Presidente da República colocou no desemprego muita gente.

Aqueles que nas televisões, rádios e redes sociais sobreviviam das contrapartidas que recebiam da guerra sem quartel que faziam ao líder da UNITA estão, agora, sem o que fazer.

Àquele general que sustenta a guerra suja contra os adversários políticos passa a ser, a partir de agira, difícil, explicar os assaltos ao erário.

Incendiários, amigos da onça e falsos incondicionais sempre fizeram carreira no MPLA.

Em 1978, quando Agostinho Neto tomou a corajosa decisão de ir a Kinshasa reunir-se com Joseph-Desiré, aliás, Mobutu Sese Seko Nkuku Ngbendu wa Za Banga, também muitos membros do MPLA, alguns deles integrantes de estruturas de proa, opuseram-se veementemente à iniciada.

A verdade é que tanto em 1978, como agora em 2020, Agostinho Neto e João Lourenço puseram em prática uma elementar lição de política: a paz constrói-se com os inimigos.

Se Angola e a África do Sul do apartheid não se tivessem sentado  à mesma mesa, provavelmente até hoje a Namíbia continuaria sob dominação colonial.

O gesto do PR – que, vamos lá dizer, só é enorme porque ainda somos um país do faz de conta, merece ser encorajado por todos os angolanos que desejam tirar o país do pântano em que está encalhado há 45 anos.

Foi, também, uma sonora galheta sem mão àquelas metades de coisa alguma que poluem as redes sociais com discursos de ódio, xenofobia, enfim, discursos de pessoas que, com toda a certeza, têm alguns fios descarnados nos neurónios.




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