A quem pertencem os “direitos autorais” do HGC? - Graça Campos


Poucos dias antes e depois da sua inauguração, na quinta-feira, 21, uma barulhenta seita do MPLA reivindicou para o Presidente João Lourenço a construção do Hospital Geral de Cabinda. 

Não é tanto o número, razoável, reconheça-se, de hospitais inaugurados pelo Presidente João Lourenço que anima a seita. O que a excita é a comparação entre as estruturas hospitalares construídos na actual Era e as que foram erigidas no consulado de José Eduardo dos Santos.

A ideia da seita de atribuir um imaginário Prémio Nobel de Construção de Hospitais ao Presidente João Lourenço desencadeou uma curiosa batalha pelos “direitos autorais” do Hospital Geral de Cabinda.



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No dia 10 de Novembro de 2018, a edição online do Jornal de Angola noticiou que a baronesa Lindsay Northover, nessa altura em viagem ao nosso país, anunciou um financiamento de 750 milhões de libras para a construção de um hospital em Cabinda e reabilitação de duas unidades em Luanda.

Lindsay Northover estava em Angola a mando da então primeira-ministra britânica, Theresa Mary May.

Num encontro que reuniu empresários angolanos e representantes da Agência de Crédito à Exportação do Reino Unido (UKEF), a dignitária britânica disse que parte daquele dinheiro ( um bom dinheiro, siga-se em abono da verdade) seria usado para financiar a reabilitação dos Hospitais Pediátrico e Geral de Luanda. 

No dia da inauguração  do Hospital Geral de Cabinda nenhuma entidade oficial fez qualquer referência à contribuição britânica, o que reforçou nos membros da seita a convicção de que a moderna unidade hospitalar foi uma iniciativa exclusiva do Presidente João Lourenço. Por pouco, a seita juraria que João Lourenço tirou do próprio bolso o dinheiro que suportou a construção do hospital.

Além dos arquivos do Jornal de Angola, também o Diário da República deita muita água na sanha da seita de ajustar a história do país aos seus interesses específicos.

Compulsando-o, o jornalista José Gama, do Club-K, encontrou no Diário da República do dia15 de Março de 2016 o Despacho Presidencial n.º 59/16 através do qual o então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, aprovou o Programa de Procedimento dos Projectos de Ampliação e modernização do Aeroporto de Cabinda, Construção e Apetrechamento da Aerogare do Aeroporto do Cuito, no Bié, Construção do Terminal Marítimo e Terrestre de Cabinda, do Quebramar e Terminal Marítimo de Cabinda e Construção e Apetrechamento do Terminal Fluvial e Terrestre do Soyo.

De consulta em consulta, a 14 de Junho de 2017 o director do portal Club-K deu de cara com outro Despacho Presidencial. Trata-se do Despacho n.º 134/17 de 21 de Junho por via do qual José Eduardo dos Santos aprova o projecto de empreitada para as Obras de Construção do Hospital Geral de Cabinda, bem como os contratos de empreitada de construção e apetrechamento da 1.a fase do referido Hospital, que foi  celebrado com a empresa Mota- Engil Angola, no valor total correspondente a Kz: 27.408.937.626,00, equivalente a USD 165.209.625,00. 

Nesse mesmo Despacho, José Eduardo dos Santos aprovou, também, o contrato de  prestação de serviços de fiscalização da empreitada, que foi celebrado com a empresa DAR Angola Consultoria, Limitada no valor total de 634.956.084,00 kwanzas, correspondente em dólares a 3.827.250,00.

Sem menosprezar o empenho do Presidente João Lourenço na construção de novas infra-estruturas, o jornalista conclui que “tanto o Hospital Geral de Cabinda como o Terminal Marítimo, que acabam de ser inaugurados, são obras deixadas pelo Presidente José Eduardo dos Santos. Elas não podem fazer parte da prestação de contas do que foi prometido na  campanha eleitoral de 2017, porque quando ocorreram as eleições naquele ano, as duas obras já estavam em curso. Em 2020, JL aprovou algumas obras e projectos para a província de Cabinda. Mas de momento não há nenhuma obra feita em Cabinda que seja projecto do Presidente João Lourenço.”

A batalha pelos direitos autorais do Hospital Geral de Cabinda tem uma explicação: o MPLA criou em Angola a cultura de pessoalização dos feitos colectivos.

De acordo com essa bitola, a independência de Angola teve um único pai: Agostinho Neto. Foi ele que se bateu sozinho pela independência nacional.

Depois de quase 30 anos de guerra entre o Governo e a UNITA, a paz, alcançada em 2002, teve um único arquitecto: José Eduardo dos Santos. Sozinho, ele enfrentou os exércitos sul-africano e da UNITA até à sua aniquilação total e completa.

Com 5 anos de Governo ainda incompletos, João Lourenço já é considerado como o pai do desenvolvimento de Angola. O que está a fazer com o sacrifício do próprio bolso.


Correio Angolense 




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