CABULADORES , ESPERTALHÕES , PLAGIADORES - O REFLEXO DE EDUCAÇÃO QUE TEMOS- Hélder Mwana África




Recentemente o Departamento de Ciências Sociais da UAN (Universidade Agostinho Neto) vazou o tão badalado documento  onde consta nomes de doutorandos que foram flagrados com trabalhos plagiados.



Em virtude disso suscitaram dois ângulos de visão diferentes :


- Uns defendem que o Departamento falhou rotundamente por ter vazado uma lista espelhando nomes que no entender de estes violam direitos , nomeadamente,  ao bom nome ou reputação e à boa imagem;





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- Outros defendem categoricamente de que o departamento fê-lo bem como uma medida que visa desencorajar àqueles que intencionalmente enveredam por essas práticas que atentam contra o rigor e a excelência educacional.


Em minha opinião,  associo-me aos do segundo ângulo , pois que não se pode formar doutores com umas debilidades dessas - cabuladores e limitados;  sob pena de destruir a sociedade e  contribuir cada vez mais para a colocação das Instituições de Ensino Superior Angolanas para o fundo do poço, longe, portanto, do ranking africano e, por extensão, mundial.


EDUCAÇÃO ANGOLANA


É com profunda dor e consternação que olhamos o ensino superior público angolano a ser relegado cada vez mais para o fundo do poço,  a ser enterrado vivo; sob um olhar cúmplice e silencioso.

Pois, não se concebe que um doutorando faça cábula para obter o grau de Doutor. O que estará na base deste descalabro educativo? Que certeza se pode ter de que o Mestrado não se fez a  mesmíssima coisa? Quais são as possíveis consequências disso em caso de não se detectar esses estudantes após serem lançados para a sociedade? Que contornos pode causar do ponto de vista da criatividade e contribuições para o desenvolvimento social? Essas e mais questões servem para reflectirmos sobre o assunto em questão e a necessidade de se combater tais práticas; há que se desenvolver softwar's que ajudem na deteção de plágios ao nível das demais instituições de ensino superior no país.


NOTA: Angola é, curiosamente, um dos países mais bem sucedidos em termos de formação de papagaios, imitadores e limitados; somos uma geração de  meros reprodutores, exímios imitadores. Em virtude deste vexame, muitas das vezes passa-se a idéia de que o fácil é o melhor. O angolano infelizmente foi ensinado desde a tenra idade de que "isso é Angola, acorda" ; palavras de incentivo a promiscuidade acadêmica e por extensão social. Ainda é possível atingirmos a excelência, pois apesar de toda a engenharia criada  para a continuidade uma geração de intelectuais com fortes limitações mentais,  ainda é possível alcançar a excelência.


Uma outra questão a ser aflorada tem que ver com o critério de atribuição de notas aos estudantes que apresentam os seus TFC (Trabalho de fim de curso).  Pois é inconcebível que um estudante que não tenha apresentado quase nada de extraordinário para a ciência, digamos, algo novo na área em que se formou,  mas a sua nota de defesa seja 18/19/20. Condeno energicamente. Uma vez que se avaliarmos ao fundo veremos que as respectivas notas não justifica com aquilo que são as grandes pretensões da Ciência - Criação e Inovação. 

Portanto, partindo deste ponto de vista,  gostaria de lançar um desafio ao Ministério do Ensino Superior que velasse por estas questões de modo a debelar os grandes malea que enfermam cada vez mais a excelência ao nível do ensino superior.




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