MPLA desistiu de descobrir a mão criminosa?



No dia 10 de Janeiro, o incêndio da sede distrital do MPLA ao Benfica, em Luanda, na sequência de uma greve de taxistas, suscitou de Bento Bento, o responsável provincial do partido, uma rápida e enérgica reacção.


«Há intenções políticas na suposta greve dos taxistas», sentenciou lá dos alto dos seus quase 2 “andares” de altura.


Com base não se sabe em quê elementos ou evidências, Bento Bento disse-se convencido que a greve dos taxistas era movida por intenções políticas. “Então quer dizer que estes indivíduos têm intenções políticas, não têm intenções absolutamente ligadas à greve dos taxistas», declarou Bento Bento, sublinhando que que o país estava diante de “um plano devidamente urdido, um plano devidamente elaborado, e visa inviabilizar Luanda e o país (…)”.



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Não se sabe se com base na observação visual própria, se com base no ouvir dizer ou se especulava simplesmente, o facto é que o primeiro secretário provincial de Luanda assegurou que os incendiários usavam indumentária da UNITA.


«Há indivíduos que supostamente planificaram uma greve dos taxistas e de greve de taxistas não teve nada senão ataque ao comité do MPLA do Benfica. Então quer dizer que estes indivíduos têm intenções políticas, não têm intenções absolutamente ligadas à greve dos taxistas», sentenciou.


Um dia depois, em inédita Mensagem à Nação feita na abertura de uma reunião do Conselho de Ministros, o Titular do Poder Executivo, João Lourenço, subescreveu as insinuações do primeiro secretário provincial do MPLA quanto às motivações e causadores da greve e suas consequências.


“O que ocorreu na segunda-feira foi um verdadeiro acto de terror cujas impressões digitais deixadas na cena do crime são bem visíveis e facilmente reconhecíveis, e apontam para a materialização de um macabro plano de ingovernabilidade através do fomento da vandalização de bens públicos e privados, incitação à desobediência e à rebelião, na tentativa da subversão do poder democraticamente instituído”.


No cumprimento das suas obrigações, a Polícia Nacional efectuou um conjunto de detenções de indivíduos suspeitos de envolvimento directo nos tais acontecimentos que, no dizer do também Presidente do MPLA, apontariam “para a materialização de um macabro plano de ingovernabilidade”.



Em julgamentos sumários, as dezenas de angolanos que a Polícia apresentou como suspeitos acabaram absolvidos e uns poucos condenados a penas leves por crimes de vandalismo, como queima de pneus. Todas as sentenças foram convertidas em multa.


Decorridos mais de 15 dias, continuam sob prisão dois cidadãos – Luther Silva Campos “Luther King” e o ativista e músico Tanice Neutro – que seriam os supostos mentores da greve dos taxistas e do incêndio às instalações do MPLA. Aparentemente, até hoje não se conseguiu estabelecer nenhum “link” consistente entre os dois jovens e o incêndio das instalações do MPLA, a verdadeira causa da ira de Bento Bento e João Lourenço.


Registe-se que apesar de envolverem alguma violência, os acontecimentos do dia 10 de Janeiro não causaram nenhuma perda humana.


Quer a imediata Bento Bento quanto a grave afirmação de João Lourenço de que haveria um “macabro plano de ingovernabilidade” criaram no cidadão a certeza de que as autoridades tratariam o caso com a seriedade que ele, de facto, requer.


Porém, na quinta-feira, 27, a opinião pública angolana foi  confrontada com a informação de que a bancada parlamentar do MPLA rejeitou uma proposta da UNITA para debater, em sede da Assembleia Nacional, a greve dos taxistas do dia 10 e outros acontecimentos que lhe foram associados.


A surpreendente demissão do comandante geral da Polícia, a que se junta, agora, a recusa do MPLA de debater na Assembleia Nacional os acontecimentos do dia 10 sugerem que alguém está a pôr em causa a maturidade ou mesmo a sanidade mental dos angolanos.


É que tendo havido ilícitos penais, cuja autoria tanto o MPLA quanto o seu Presidente não parecem ter a menor dúvida, como entender a rejeição do debate proposto pelo principal e aparentemente único suspeito?


O Titular do Poder Executivo – supondo que seja nestas vestes – aludiu a planos macabros e o seu partido recusa-se a debater o assunto até às últimas consequências, o que implicaria a descoberta dos autores das impressões digitais encontradas no terreno?


Essas contradições levam à única conclusão razoável: quem atirou a pedra escondeu a mão.


Na verdade, um debate sério levaria a que se desvendassem as verdadeiras mãos que atiraram a pedra.

A estonteante recusa do MPLA legitima a suspeita de que a origem do fogo posto ao seu comité distrital do Benfica pode não ser aquela que os ventos sugerem.


Correio Angolense 



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