JÁ FOMOS NO MATO E REGRESSAMOS PORQUE O MPLA NÃO FACILITA A VIDA- Timóteo Miranda



Em 2002 via alegria nos adultos que me rodeavam, o bairro quase que entrava em chamas artificiais porque dizia-se em bom tom, que alguém muito mais muito maléfico havia morrido e por este acontecimento o nosso país entraria em paz e em uma ordem de progresso social. Não entendendo muita coisa e relembrando os contos da minha avô sobre a guerra sobre tudo das corridas da minha bisavô, do abandonar das panelas na lenha e do dormir com o coração na mão acreditei que talvez a melhor solução havia chegado. Não entendia muito de programação televisiva mas tinha um ouvido bem apurado sobre as músicas que "batiam" no momento, numa delas bem popularizado pela TPA dizia: "Vamos mbora no mato porque a guerra já acabou".


Era um apelo ao exôdu urbano, das famílias que abandonaram a sua província natal fruto dos confrontos armados travados durante 27 anos, onde produziu-se heróis e generais por matarem mais e serem donos da arrogância. Um apelo aos refugiados em países vizinhos como Congo, Zâmbia, Namíbia bem como na Europa e nas Américas foi feito para retornarem em Angola num projecto de reconstrução do país. Anos foram passando e parecia que a vida só seria facilitada com um cartão de militante, os hábitos do Partido único ora preservados pelo partido no poder voltaram a ter uma grande tonalidade, a promoção do ódio e da culpabilidade de terceiros, a vitimização com produção de ideologias de guerra foram difundidos a todas as esferas da sociedade; O "mato" continuou separado do resto do país porque as estradas e os meios básicos de circulação nunca chegavam até o interior. 




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Em uma fase de aceleração económica, o país continuou a registrar altos índices de pobreza e doenças agudas, lançou-se a campanha da privatização das terras em nome do estado, muitos pequenos agricultores perderam o seu poder de subsistência e as autoridades tradicionais foram reduzidos a meros grupos de danças que se envaidecem com um saco de arroz e uma bicicleta para girarem nas "zanzalas", mapearam as zonas mais ricas de Angola e montaram corporativas de exploração na cultura do "generalismo", tentaram construir um Império em algumas zonas de Luanda com condomínios pomposos e zonas de influência exclusiva. 


Em certo momento do meu crescimento não entendia o porque da visita constante dos meus familiares que residiam em zonas rurais, e porquê, eles carregavam um monte de coisas ao voltar aos seus aposentos, eles queriam tudo até aquilo que para nós parecia desnecessário! Na verdade o sonho rural, da harmonia familiar, do trabalhar em colectividade, e da facilidade no comer já não era uma "realidade real" porque precisava-se de dinheiro, para tal era necessário plantar para vender, porque a fome já era uma amiga nas zonas rurais, e a rede comercial era inexistente nestas zonas porque nem estradas tinham. 


Mais uma vez em momento em que deveria-se estar a discutir a descentralização do poder a fim de permitir a discussão do modelo de progresso social destas comunidades que só seria possível pela via das autarquias, Começamos a conhecer o grande exôdu rural da procura do básico. Mais uma vez as pessoas voltaram para as cidades não fugindo a guerra provocadas pelas armas mas a guerra da sobrevivência provocada pela má governação do MPLA. 


ABRAÇOS DO VOSSO IRMÃO TIMÓTEO MIRANDA.



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