CRÉDITO DO DEUTSCHE BANK: Empresários contrariam João Lourenço e acusam Governo de “esconder linha de crédito”



A Confederação de Empresários de Angola (CEA) garante ter empresários angolanos em condições de beneficiar da linha de crédito de mil milhões de euros do Deutsche Bank e contraria assim os argumentos do Presidente da República.


Empresários contrariam João Lourenço e acusam Governo de “esconder linha de crédito” 

Num encontro com alguns jornalistas, João Lourenço acusou os empresários de não apresentarem projectos credíveis que possam ser candidatos à linha de crédito e à garantia dada pelo Estado, considerando-o ser uma situação “vergonhosa”.




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O presidente da CEA, Francisco Viana, rejeita a crítica e devolve-a quem negociou o crédito. “A culpa é de quem recebeu e negociou os mil milhões de euros e para quem escondeu muito tempo nas gavetas pensando que vai comer sozinho”, criticou.


Francisco Viana garante que existem empresários em condições de beneficiar da linha de crédito e lamenta que não haja uma abertura no Governo. Por isso, desafia João Lourenço a um encontro com os membros da confederação para aferir as condições.


“A nossa Confederação Empresarial tem 50 associações que podiam ter sido chamadas. Da mesma forma que o senhor Presidente falou connosco na campanha, poderia ter falado depois, quando conseguiu os tais mil milhões de euros, mas não falou, nunca mais o vimos. Agora está a falar que nós é que não conseguimos”.


Também o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, contesta as críticas de João Lourenço, lembrando que algumas empresas até tencionavam candidatar-se, mas obrigadas a recuar devido às “garantias solicitadas” com valores muito altos, como mais de 10 milhões de euros. “Outras até chegaram mesmo a passar por alguns crivos, mas foram obrigados a recuar por causa das muitas exigências”, observa, considerando essas obrigações “injustas” porque “muitas fazendas estão longe de valerem este valor.”


O dirigente associativo, em entrevista à Rádio Essencial, sugere ao Governo que reveja o contrato, pensando mais nas condições dos empresários, os quais “têm a vida mais difícil com o agravar da crise económica”.


Ao contrário do presidente da República, José Severino entende que a vergonha de não aceder ao crédito é de todos “porque o Governo tem a obrigação de criar créditos viáveis para os empresários e a classe de os aderir.”


Dos mil milhões de euros disponibilizados, apenas o grupo Carrinho teve acesso a um empréstimo de 200 milhões de euros.


Valor Econômico 



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