Levantamento da Greve dos Médicos: "A culpa não pode morrer solteira" - Luís de Castro


Durante, aproximadamente, duas semanas a greve decretada pelo Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA) inundou às redes sociais e portais de informação digitais com várias mensagens de protesto dos profissionais de saúde e não só. 


Apesar de ter estado em causa o atendimento de pessoas ávidas por cuidados médicos, vários segmentos da sociedade e associações profissionais e sindicais solidarizamram-se à causa do SINMEA. 


Tal facto deu-se por um lado pela falta de flexibilidade, insensibilidade, injustiça e arrogância do Ministério da Saúde (MINSA), bem à moda do partido no poder, para atender o caderno reivindicativo dos médicos angolanos. 



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A greve despoletada pelo SINMEA trouxe à ribalta velhos problemas conhecidos por todos, que fazem com que o sistema de saúde angolano seja considerado um dos piores da região da SADC, tais como a falta de medicamentos e de materiais gastáveis

nas unidades hospitalares do país, insuficiência de camas para internamento dos pacientes, défice gritante de profissionais especializados e não só, entre outros males que o governo do MPLA finge não existir. 


Nas mensagens de contestação, os médicos fizeram denúncias que facilita à vida da PGR, da IGAE,  e dos órgãos de comunicação social com vista a responsabilizar criminalmente os prevaricadores. Porém, para não variar, parece que prevalece a moda de fazer olhos e ouvidos de mercador. 


O SINMEA não exigiu apenas aumento salarial, mas também denunciou a máfia existente na gestão de materiais de biossegurança para o combate à pandemia da Covid, onde a falta de materiais gastáveis e outras condições laborais contrastam com as verbas milionárias destinadas para conter a propagação do inimigo invisível. 


Entretanto, para alegria dos médicos, está colocado um "ponto e vírgula" na contenda entre o MINSA e o SINMEA, por 90 dias, até que o governo faça jus à "palavra" dada. 


Ficou mais uma vez demonstrado que, afinal, é conversando que "pessoas" de boa vontade se entendem. 


Os auxiliares do titular do Poder Executivo têm de ser mais proativos, foi preciso o PR se deslocar ao hospital Américo Boa Vida, e testemunhar a ruidosa manifestação dos "médicos grevistas" dirigida à caravana presidencial, para que a Ministra da Saúde e a sua equipa fossem flexíveis na negociação. 


Fica a lição que, precisamos dialogar mais, precisamos construir pontes ao invés de muros. 


O efeito imediato das querelas que dividia às partes exigiu ao MINSA anular o processo disciplinar e proceder o reenquadramento, imediato, do Presidente do SINMEA, decorrente da sanção a que foi alvo no Hospital Pediátrico David Bernardino, por ter denunciado à mídia a morte de 19 crianças no banco de urgência da referida unidade sanitária, por falta de condições. 


Por outro lado, os médicos angolanos tiveram uma grande demonstração de unidade, em prol do cumprimento cabal do seu caderno reivindicativo, não dando margens de fuga para frente à equipa capitaneada por Sílvia Lutucuta, continuar à brincar com a vida de profissionais que têm à missão de dar vida e salvar milhares de vidas humanas. 


Um desfecho que alegra não só à classe médica, mas a todos os angolanos.



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