Greve dos Médicos: A insensibilidade do MINSA e a indiferença da mídia pública diante do calvário dos médicos- Luís de Castro



Os profissionais que têm à missão de prevenir doenças, aliviar o sofrimento e curar os doentes continuam de braços cruzados face ao incumprimento do seu caderno reivindicativo. 


Os médicos angolanos não arredam o pé à greve. O braço-de-ferro entre o Ministério da Saúde (MINSA) e o Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA) já se arrasta há duas semanas, sem um fim à vista. 


Os médicos angolanos estão cansados de "trabalhar por amor à profissão" e exigem "trabalhar com amor" e com maior dignidade. Para tal apelam as entidades de direito por melhores condições de trabalho, assistência medicamentosa, e salários que permitem melhorar as suas condições de subsistência. 




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Do caderno reivindicativo, o destaque recai ainda para o reenquadramento do Presidente do SINMEA, bem como a nulidade do processo disciplinar que teve a nível do Hospital Pediátrico David Bernardino, por ter denunciado à imprensa a morte de 19 crianças de um total de 24 no banco de urgência da referida unidade sanitária, por falta de condições. 


A greve é legítima e consagrada na Constituição da República. A insensibilidade do governo angolano é típico de (des)governantes que têm aversão aos serviços de saúde públicos, fruto das regalias pagas com dinheiro público, dentro e fora do país. 


Em tempo de pandemia não mediram esforços para salvar vidas, e por via disso, ganharam o rótulo de "combantes da linha da frente". Mais uma vez cuidaram de pessoas de todos os quadrantes sociais, num período tão delicado, com todos riscos possíveis e muita coragem. 


Ainda assim, a titular do MINSA, Sílvia Lutucuta, continua insensível e a passar panos quentes ao calvário dos médicos, e em defesa da sua dama (governo/MPLA), acusa o SINMEA de dificultar as negociações e pede aos seus colegas (médicos) para que voltem aos postos de trabalho. 


Contudo, imbuídos no espírito de compartilhar afecto e lutar pela vida do próximo, os "grevistas" mantêm o atendimento dos serviços estipulados por lei, tais como o atendimento dos doentes críticos, os bancos de urgência, as hemodiálises e os cuidados intensivos. 


Se por um lado a greve dos médicos "prejudica gravemente o bem vida", como disse à Ministra, também é bem verdade que o não reconhecimento do trabalho do médico é um dos principais factores para a precariedade do sistema de saúde em Angola. 


É absurdo, a hipocrisia do MINSA "exigir" à classe médica fidelidade

ao juramento de Hipócrates, que consiste em prestar a assistência médica para salvaguardar à saúde e vida humana, diante de um conjunto de atropelos dos direitos consagrados por lei. 


De acordo com alguns relatos, em algumas províncias alguns "grevistas" estão a sofrer ameaças de retaliação, mas a determinação pela reivindicação dos seus direitos fala mais alto. 


Por ironia, os médicos estão a destapar todas as cubas de problemas da rede sanitária que a imprensa pública, ao serviço do regime ditador, teimosamente, finge não existir. 


Enquanto isso a mídia pública, sempre atrelada e maniatada pelo MPLA, mantém-se indiferente ao calvário dos médicos, e faz o que melhor sabe: manipular os factos à favor da "entidade patronal". 


É inconcebível que duas semanas depois do início da "paralisação" dos trabalhos dos médicos, os órgãos de comunicação social públicos, com enfoque para a TPA, que por sinal estão espalhados pelas 18 províncias do país, negam-se retratar as consequências da greve. 


Caso para dizer que, a mídia do MPLA, vulgo Quarto do Poder, mata mais pessoas do que um médico com qualificações duvidosas.



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