Assassinato de Caracter - Sousa Jamba


O Morgan Tsivangirai, falecido líder da oposição no Zimbabwe foi um adversário formidável de Robert Mugabe. A um certo momento, em 2000, Mugabe optou por uma tática velha para enfrentar o seu adversário: o assassino do seu carácter. É assim que aparece um personagem curioso chamado Ari Ben Manashe, um falhado empresário Israelita com operações em várias partes do mundo, incluindo Canadá.


Em 2002, Manashe surgiu como testemunha principal num julgamento em que Tsivangirai era acusado de ter tentando assasinar o presidente Mugabe. Havia uma gravação (montagem ) em que o Tsivangirai aparentemente estava a conversar com o Ben Manashe sobre a tal operação. Aparente, Tsivangirai tinha pago o Ben Manashe cem mil dólares Americanos para a operação. Tsivangirai dizia que a quantia foi paga porque o Manashe tinha se apresentado como um lobista perante o governo Americano.




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Em todo caso, por alguns meses o Ben Manashe não parava de falar mal de Tsivangirai na imprensa estatal Zimbabweana; a um certo momento ele até disse que a sua família estava a ser ameaçada seriamente pelo os homens de Tsivangirai — algo que foi prontamente provado como sendo falso pelo jornal Canadense, “The Globe Mail and Guardian.” Ben Manashe tentou se aprensentar ao público Zimbabueano como uma vítima de Tsivangirai.



Naturalmente, quando o Ben Manashe fazia as suas alegações contra o Tsivangirai a imprensa estatal não procurava o contraditório. É que tínhamos aqui um caso clássico de assassino de carácter de um adversário político; a empresa estatal era uma das armas de Mugabe no assassino do caráter de Tsivangirai. O que parecia ser reportagens não era nada mais do que esforços para mostrar que Tsivangirai era um tirano muito perigoso.



Ben Manashe, como já se disse. era muito bom em fazer-se uma vítima de Tsivangirai. Só que Manashe, cuja história era de empreendimentos que tinham falhados, afinal tinha sido pago seiscentos mil dólares pelo governo de Mugabe para fazer parte da armadilha contra Tsivangirai. No tribunal, o juiz disse que Manashe era um mentiroso sem escrúpulos e o caso caiu. Aqui não havia nenhuma procura pela a justiça; Ben Manashe queria ficar rico, ponto final.



O objectivo do espectáculo de Ben Manashe nos tribunais era para desfazer o caracter de Tsivangirai. Mas a demolição do caracter de alguém é um projecto político que quando perde o seu valor pode até ser interrompido abruptamente. De 2009 á 2013, houve um governo de coligação no Zimbábue onde Tsivangirai foi Primeiro Ministro; Mugabe tinha perdido as eleições mas não estava pronto a deixar o poder. De repente, o mulherengo perigoso tornou-se numa figura respeitável na imprensa estatal. É por isso que figuras inteligentes, com moral e integridade, raramente envolvem-se em projectos de assassino de caracter; Ben Manashe é hoje lembrado como o homem que desavergonhadamente foi usado para manchar a imagem de Tsivangirai. Para Ben Manashe, suspeito, o mais importante foi o dinheiro.



O grande problema de operações de assassinos de carácter, é que os seus protagonistas muitas das vezes são indivíduos sem princípios de moral, que são somente motivados pelo dinheiro ou o desejo de uma certa notoriedade; são esses que estão usualmente prontos a fazer parte do circo de demolir o bom nome de alguém com quem ele poderia ter tido alguma ligação no passado. O processo do assassino de caracter de alguém envolve uma mistura de factos com falsidades — as acusações têm que ser chocantes, se tiverem algo a ver com o sexo ainda melhor!



Em 2009, a esposa de Morgan Tsivangirai, a Susan Tsivangirai faleceu num acidente de viação. De repente a imprensa estatal no Zimbabwe não parava de publicar histórias dos casos que Tsivangirai estava a ter com várias namoradas que se queixavam que ele tinha “uma condição médica estranha.” Havia vários sites Zimbabweanos, criados pelos serviços secretos, cujo trabalho era divulgar material para denegrir o Morgan Tsivangirai.



O líder da oposição Zimbabweana passou a ter a fama de ser mulherengo; havia mulheres em várias partes do mundo que alegavam ter tido casos com Tsivangirai. Todas estas mulheres estavam zangadas porque Tsivangirai tinha lhes deixado etc. Estas mulheres também falavam detalhadamente sobre a vida sexual que tinham com Tsvangirai. Só que ninguém via a cara dessas mulheres. Não é por nada que a imprensa estatal nunca entrevistou Tsvangirai no momento em que o assassino do seu caráter estava em curso. O que havia, por exemplo, era figuras do órgão feminino do ZANU-PF, partido no poder, criticar severamente o Tsivangirai por não ter moral na base de rumores que circulavam nas redes sociais. Sim, havia senhoras da ZANU-PF, completamente indignadas, porque Tsivangirai tinha tido mais um bebê com uma menor que ninguém tinha visto!



Em 2009, quando Tsivangirai foi Primeiro Ministro, algumas destas senhoras pediram-lhe desculpas pelos ataques que tinham sido baseados em rumores que faziam parte do projecto de manchar o seu carácter.



Os projectos de assassino de carácter não são nada fácil. Eles dependem muito do controle de narrativas; é por isso que quem tem o acesso aos microfones para fazer os ataques é bem controlado. Uma tática, por exemplo, é fazer ataques ao líder falecido de uma organização — o objectivo é dar a entender que há uma falha profunda em apoiantes que pertencem à uma organização com líder que em vida teve muitos defeitos etc.



Só que as operações do assassino de caracter de uma figura muitas das vezes correm o risco de terem um efeito bumerangue. No caso de Tsivangirai, o Ben Manashe era uma figura tão execrável, motivada somente pelo dinheiro, que muitos começaram a identificar-se com o líder da oposição . Durante o julgamento de Tsivangirai, havia a possibilidade de ele nunca participar na política se fosse condenado; muitos viram o Ben Manashe como figura que estava a ser usada para subverter a Democracia no Zimbábue. A um certo momento, até o próprio governo de Mugabe quis desfazer-se do Ben Manashe — ele estava a cheirar muito mal!



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