QUE DESPERDÍCIO- SEVERINO CARLOS



A ponte fluvial sobre o Rio Lucala, que a imagem faz referência, localiza-se nas confluências das comunas do Cuale e Cateko Cangola, município de Calandula, na província de Malanje. Ela se encontra destruída desde 1984 (37 anos, portanto), em virtude da guerra que assolou o país.

Estranho nisto tudo, é que decorridos estes anos todos, a ponte jamais fora objecto de qualquer tentativa de recuperação pelas autoridades locais e centrais, apesar de se tratar de uma estrutura vital para a ligação entre três províncias, Malanje, Kwanza-Norte e Uige. 



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Só por aqui, bem se pode ver o descaso e a incúria que têm caracterizado a governação deste país. Na mini-idade de ouro da economia angolana, como lhe chamou o economista Alves da Rocha, o país dispôs de fundos que lhe teriam permitido recuperar estruturas semelhantes -- desde estradas a pontes imprescindíveis à circulação de pessoas e bens, dinamizando-se assim as economias locais. 

As melhores contas e expectativas indicam que depois do alcance da paz em 2002, Angola entrara numa espiral de crescimento económico, e só com a produção de crude pôde ter encaixado, até antes da crise financeira internacional de 2008, algo em torno de 50 mil milhões de dólares. Era muita massa e caía como uma luva para um país de pós-conflito, que muito jeito por certo lhe daria no que havia para realizar em termos de reconstrução nacional. 

Mas havia quem receasse, e com toda a razão, que os angolanos não teriam "cabeça" para aplicar,  com tino e racionalidsde, os fundos próprios que tinham, sem contar com o que se poderia obter de crédito, por via da cooperação multilateral, junto de organizações financeiras internacionais, e ainda, no plano bilateral, junto de outros países, como foi o caso da China. 

Nesse ínterim, um especialista internacional sugerira que as autoridades angolanas, nomeadamente os seus ministros das Finanças e Economia, poderiam fazer duas coisas: comprar dois bilhetes de passagem. Um para a Nigéria e outro para a Malásia, para ver o que esses países estavam a fazer. 

É claro que Paul Collier, o referido especialista, queria na verdade que Angola contornasse o caminho que levava a Lagos e voasse,  preferivelmente, para Kuala Lumpur, cuja economia dava saltos exemplares entre os chamados novos tigres asiáticos. 

As autoridades angolanas fizeram "manguito" a Collier, colocando em saco roto os seus conselhos. E, assim, fizeram exactamente o contrário: empataram e desperdiçaram o dinheiro a rodos que tinham em mãos em coisas supérfluas e obras faraónicas. Sem contar que parte substancial dessa riqueza fora parar aos bolsos de uma classe de novos-ricos, produzida à pressão e por via da corrupção e saque de fundos públicos. 

Não admira assim que pontes importantes como as de Cuala e Cateko Cangola tenham sido esquecidas, passando ao largo das obras projectadas pelo antigo Gabinete de Reconstrução Nacional, confiado ao ex-superpoderoso general Kopelipa. 

Só agora, muitos anos depois, é que se vai mexer nessa infraestrutura. Isto graças ao dinamismo de um jovem engenheiro, Angelino Kissonde, que saiu de Luanda para se tornar no vice-governador de Malanje para a área técnica. 

Esperemos que o governador, Norberto Kwata Kanawa, saiba tirar maior proveito do seu capital.



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