MEDIAR DIVERGÊNCIAS: O CASO LISUMBISSA- JOSÉ GAMA



1.Ao tempo da guerrilha da  UNITA, segundo atestam  alguns veteranos,  haviam quatro figuras que tinham  ascendente  sobre Jonas Savimbi. O  seu amigo Miguel  Nzau Puna, a  mãe Helena Mbundo, a irmã Judith Pena, e a esposa Catarina Ululi. Há poucos anos, uns amigos sul africanos contavam que numa reunião que tiveram com Savimbi,  o líder guerrilheiro teria se exaltado com os seus  interlocutores. Contam  que naquele momento, um dos seus homens de confiança, que também  participava  na reunião pediu um ponto de ordem e levou  Savimbi para o exterior da sala por uns minutos. Quando ambos  regressaram, Savimbi já era outro e mais consensual.  Os presentes ficam convencidos que estavam diante de um colaborador que exercia que exercia alguma  ascendente sobre o líder da guerrilha. Este colaborador atendia pelo nome de guerra de Lisumbissa ou LSB (Lima Sierra Bravo), mas nas lides diplomáticas: Isaías Samakuva


Quando Savimbi, faleceu, Isaías Samakuva, na altura baseado em paris,  fora também a figura que os seus colegas investiram  para juntar todas as “mantas” partidárias que se encontravam repartidas entre “renovadores” os “das matas”, os “da cidade”,   os do “exterior”, e etec.



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2.Neste mês, por imposição do acórdão 700/2021,  o brigadeiro Lisumbissa voltou a ter a mesma missão. Desta vez para gerir uma virtual  “divisão” exportada para  o seu partido. Paralelamente a imposição do acórdão foram criadas paginas  no facebook Folha-9 (que se confunde com F8 de William Tonet),   em que o seu  nome de Samakuva era enaltecido por estar de regresso;  analistas dos media do regime teciam comentários apoiando-se na sua imagem dando a entender a existência de um alinhamento ao MPLA;  as contas bancarias da UNITA que antes estavam vetadas foram parcialmente aliviadas para se colocar em duvidas a sua figura. 


3.No interior do seu partido, Samakuva ressurgia uma ala juvenil pedindo-lhe para se manter na presidência da UNITA, enquanto outra sugeria que deveria falar fazendo um pronunciamento condenando o uso do seu nome pelo marketing do regime. Não o fez. 


4.Antes da  convocatória da reunião extraordinária realizada nesta terça-feira comunicou aos “mais velhos” da UNITA que não tem planos de regressar a presidência do partido, uma vez que está centrado na conclusão  dos seus dois volumes de memórias. Convocou a Comissão Politica da UNITA para discutir se realizavam ou não o congresso. Levou o tema a votação. 222 dos membros votaram pelo congresso agendado para 4 de Dezembro, e com isso mandou recado que não  tem o seu partido dividido, e que 94% dos membros tem a mesma posição. Voltou a declarar  que o acórdão 700/2021  do TC, é politico e que visou  “dividir a UNITA, travar o movimento social para a mudança e impedir alternância em 2022”.


5.Enquanto trancados no Sovismo, a media oficial recebia orientações para explorar eventuais 

eventuais contradições ou  rixas, sejam da UNITA como de seus simpatizantes, ou de “revus” para propaga-los como força política “arruaceira” ou “violenta”,  para se encaixar com o discurso do  Chefe da Casa de Segurança que veem  acusando a oposição de instabilidade.  A pretendida “instabilidade” da  reunião da UNITA não aconteceu. Samakuva tratou de fazer a votação, lançou os resultados para fora. As “brigadas digitais” e “gabinetes de odeio”, ficaram a divertir-se com os resultados da  data do congresso, e enquanto isso, a UNITA continuou trancada no SOVISMO a debater outros pontos da convocatória, até meia noite. 


6.As TPAs e Zimbos,  Carlos Alberto,  perderam se  na procura de registro de  violência ou coisas negativas. Nesta missão  de “buscas e  percas”,  tiveram uma outra perca. O registro do aperto de mão entre  Adalberto Costa Jr e José Pedro Katchiungo, recém regressado do interior do país. 


7.O acórdão 700/2021 do TC, ao invés de dividir, acabou por unir mais os seguires de Savimbi, reiterando o  publicou  o Africa Monitor,  no seu artigo: “Afastamento de líder da UNITA sem efeito pretendido pelo regime”, em que enumerava três efeitos não alcançados. 


1 - “Privar a UNITA do seu principal elemento de mobilização”

2- “Paralisar o projecto da Frente Patriótica Unida (FPU)”

3- “Confundir a sua base de apoio; e fazer esmorecer a sua confiança”


JG



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