Huambo "capital ecológica": A utopia que deixou de ser prioridade por estas paragens-Luís de Castro


O sonho de tornar o Huambo numa verdadeira "capital ecológica” vai se esfumando a cada dia que passa. 


Já lá vai o tempo em que na cidade do Planalto, o alvorecer era caracterizado pelo cantar dos pássaros e um clima ameno, estimulado pela corrente fria de Benguela. Porém, com o surgimento desordenado das zonas periurbanas este fenómeno desapareceu. Os bairros emergentes surgiram sem olhar para questão ambiental. Como resultado, os danos ambientais estão a vista de todos e diversas espécies de aves que habitavam no local viram-se forçadas a mudar de endereço. 


A preservação do ecossistema deixou ser prioridade por estas paragens. Basta olhar para a degradação de terras, impactando directamente na produção agrícola; das nascentes e de florestas onde existem espécies raras de animais, ou seja, a fauna e a flora da cidade Planaltica estão a ser agredidas todos os dias. 



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Há sensivelmente uma década que o clima do Huambo mudou consideravelmente, e hoje já começamos a mendigar as quedas pluviométricas. De acordo com especialistas do Centro de Ecologia Tropical e Alterações Climáticas (CETAC), nos últimos anos a temperatura no Huambo tem registado um aumento nos seus valores máximos e mínimos, fruto da emissão de gases para a atmosfera. 


As terras de Ekuikui e Wambo Kalunga tem estado muito quente nos últimos anos fruto das constantes desflorestação, e em consequência hoje já não se pode falar sobre as floresta do São João, "destruída" pelo Grupo Zara para a construção do Kero, ou ainda, dos perímetros florestais do Sacaala, Kuima, CFB, bem como do Sanguengue, no município do Catchiungo. 


As centralidades do Lossambo e Faustino Muteka foram construídas sem observar rigorasomente o impacto ambiental, e por incrível que pareça, a perspectiva paisagística do projecto continua no papel, prova disso é que a centralidade do Kilamba tenha mais zonas verdes do que os novos polos habitacionais da província do Huambo. 


Como consequência, a população do Huambo já começou a sentir as variações do clima na província têm causado sérios problemas aos solos e criam embaraços à produção agrícola, devido à degradação prematura dos solos aráveis. 


Este "trabalhão" ambiental é um trabalho que não deve ser relegado unicamente ao executivo provincial cada um de nós deve ser participe e dar o seu exemplo. Ou seja, a população tem uma palavra à dizer nesse processo de alteração climática, daí a necessidade de promover campanhas de sensibilização sobre o ecossistema. 


Do Ministério do Ambiente, e entidades afins, espera-se por mais pragmatismo na materialização de políticas tendentes a atenuar os efeitos das agressões do ecossistema no Huambo, tais como o combate à seca, desertificação, construção desordenadas e exploração de inertes. 


Apesar do CETAC ter por finalidade o aproveitamento das águas residuais, valorização dos solos degradados, constituição de equipas de investigação e apoio à elaboração e implementação de programas de preservação do ambiente, tudo indica que não é tido nem achado na apresentação de soluções para proporcionar o equilíbrio ecológico no Planalto Central.



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