A AUTÓPSIA DE UMA ANGOLA OPERADA POR "BRANCOS"



Hoje nos permitimos fazer uma "autópsia" às entranhas e ao âmago da questão do racismo em Angola e, destapar as suas práticas quase sempre ignoradas. 


O racismo em Angola é um mal coberto pelo "véu" institucional, estando muito presente em empresas de origem estrangeira privadas. 


Falar de racismo em Angola é tabú. A questão continua a ser ignorada pelas autoridades angolanas. E se quiserem dar crédito, tal ficou evidente quando o Presidente da República João Lourenço respondeu de forma leviana e sem conhecimento de causa, a questão que lhe fora colocada, no seu encontro com a juventude e os representantes da sociedade civil. Quando uma figura da mais alta magistratura do país responde nesse tom, é sinal claro que o assunto nunca será abordado com a franqueza que se quer, e muitos continuarão sofrendo e morrendo no silêncio. 




Fisioterapia ao domicílio é na MZ Fisio. Contactos para marcação: 924170321, 998024880

As aspas (") à volta da palavra branco no título desse texto, vem mesmo a propósito, para insinuar que o problema deixou de ser somente um abuso de pessoa para pessoa, de branco para preto, e passou a ser um abuso institucional. Ou seja, quando nos referimos à "branco" estamos a dizer que hoje por hoje o racismo sofreu uma metamorfose, que a referência à essa palavra já não é a pessoa de "pele pálida" ou caucasiana; a metamorfose tem que ver com O SISTEMA. 


O "branco" hoje é um sistema criado dentro dessas empresas privadas sob o cunho de uma  intolerância estereotipada de brancos para pretos, herança de uma ideologia esclavagista que o preto africano ou o afro-descendente é inferior ao branco. Queiram vocês quer não, esse preconceito ainda corre na mente e nas veias dos ocidentais, que o diga Donald Trump, à semelhança de muitos outros que com palavras torpes, nada simpáticas "blasfemam" contra o africano. 


O racista, muitas vezes, não é a pessoa estrangeira nessas empresas, mas é o sistema implantado nessa empresa, que favorece o estrangeiro com regalias abismais e salários dez vezes superior ao oferecido ao nacional. Ninguém pode negar, isso é um facto indiscutível. Portanto, o recismo está escamoteado atrás de políticas salariais e sociais desactualizadas, que até hoje têm sido objecto de protesto por parte dos nossos concidadãos nacionais. E até hoje continua o "status quo". 


Infelizmente, o MAPTESS que é órgão de tutela, que devia interferir, de forma adequada e advogar pela causa, faz mais papel de juíz do que de garante dos direitos dos trabalhadores. Pois não se justifica tanto tempo sem resolver os problemas que lhe foram colocados. 


Comecemos por ordem de empresas mais racistas a menos racistas:


1- SCHLUMBERGER - este é campeão, está no topo das empresas com o sistema mais recista de todos. São CINCO anos de negociação, entre a direcção deste e  o sindicato dos trabalhadores, para alteração da taxa de câmbio aplicada aos salários dos nacionais, que não reuniu consenso. Os trabalhadores estrangeiros nessa empresa não têm necessidade de reivindicar, claro, e fazer greve pois a vida lhes corre bem, com certeza, são regalias para eles e quase uma ninharia para os nossos irmãos angolanos. 


  2- Empresas portuguesas: COSAL, TEIXEIRA DUARTE, MOTA ENGIL, etc - estas empresas são mestres na prática reiterada do racismo enraizado num sistema que mais benéficia os portugueses em detrimento do cidadão nacional. São o típico exemplo do colono que importa profissionais portugueses caloiros que vem aprender e estagiar com angolanos séniores de reconhecida antiguidade, e numa volta de 360°, este se torna chefe e já manda e é colocado em posição hierárquica superior em relação ao profissional angolano de quem este aprendeu, auferindo salários dez vezes maiores e subsídios astronómicos. Para quando a justiça salarial? Para quando a paridade no trato profissional? Onde está o Ministério do Trabalho? 


3- EMPRESAS CHINESAS no geral: os chineses são a pior espécie de empregadores que existe no nosso país. Se existe escravidão moderna,  então não precisam procurar muito, as empresas chinesas de construção, são o covil perfeito dessas práticas, os seus estaleiros são um ninho de víboras que injectam o seu veneno de miséria, com tratamento desumano e salários que só compram o pão que o diabo amassou. E pior é que as vítimas dessas práticas são quase sempre os nossos irmãos provenientes do Sul do país, que trabalham sem contratos. Já muitas vezes se ouviu falar que alguns morrem ou são mortos e enterrados mesmo aí sem um enterro digno, longe das suas famílias e sem o conhecimento destes. Quando é que se fará justiça? 



Não quero terminar esse texto sem citar, aquele que era antes o berço, o antro do racismo em Angola: A Banca. Todo mundo sabe dessa triste realidade passada. É passada, porque de facto, a banca tornou-se exemplo de extinção do racismo institucional no seio do seu sistema. Só por este facto, merece aqui a minha apreciação. 


O racismo é um cancro que mata lenta e  silenciosamente, e é caricato, vergonhoso e de um tamanho contra-senso sermos vítimas do ardiloso sistema racista destas empresas no nosso próprio país. E apesar dos factos, confrontamo-nos com mais um sistema quase inquebrável (o Estado) que não defende os nossos interesses e não se importa em indagar o cerne da questão. A inacção deste, já é por si, um acto tácito de racismo. Quer isto dizer, que estamos perante duas frentes racistas com as quais temos que lidar. 


Wistle Blower



Lil Pasta News, nós não informamos, nós somos  a informação 

Postar um comentário

0 Comentários